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Divulgação de novos materiais de bandas underground fugindo da proposta de review e apresentando algo menos maçante

O show do Lô Borges no Circo Voador e sua divisão de águas

Inacreditável esse show do Lô Borges, sério. Assim, eu preciso dizer antes de começar direito que existem significados diversos por trás dele. Significados não só trazidos por mim, como pela Ana Beatriz – redatora e revisora do Autonomia – presente nesse dia também. Foi a gravação do DVD “do Tênis”, primeiro disco do Lô Borges- pós Clube da Esquina, álbum de artistas liderados por ele e Milton Nascimento – que não exatamente se chama “Disco do Tênis”, o álbum é homônimo, mas ficou conhecido por esse nome. O próprio Lô define o álbum como “um disco de malucos para malucos”; diferentes matérias falam que “é um álbum à frente de seu tempo (1972)” e, segundo o próprio cantor no show de gravação do DVD, foi gravado às pressas. “Eu fazia música de manhã, meu irmão Márcio Borges fazia letras à tarde e à noite”, dissera para o público presente no Circo Voador. Para Ana Beatriz e eu, o tal “Disco do Tênis” foi uma ruptura de um período ruim. Existe um antes e um depois …

As mulheres na Vekanandra de Luísa e os Alquimistas

Foto por Luana Tayze Lançado em parceria entre os selos PWR Records e Rizomarte, Vekanandra é o segundo registro gravado em estúdio pela potiguar Luísa e os Alquimistas. O sucessor de Cobra Coral conta com a produção de Walter Nazário (Mahmed) e marca grande amadurecimento do projeto liderado por Luísa Guedes, acompanhada dos músicos Zé Caxangá, Gabriel Souto e Pedras. O álbum funciona como um todo ao longo de suas sete faixas apresentando o início, meio e fim da história dessa personagem que dá nome ao disco. O título curioso vem do clássico meme Lohany Vekanandre Sthephany Smith Bueno de HAHAHA de Raio Laser Bala de Icekiss e também trata de uma espécie de alter-ego da artista. Ela conta que sempre brincava com o vídeo e recebeu de alguns amigos o apelido Veka. Flertando com a palavra falada e tendo forte influência de ritmos como tecnobrega, ragga, hip hop e otras cositas más, o trabalho é resultado de uma pesquisa que vai muito além da música. A história de Vekanandra atravessa a vivência de mulheres …

Ano novo, Talude nova

Já diziam algumas (várias) línguas “ano novo, vida nova” e, aqui no Autonomia, nós levamos isso muito a sério. Nós e os meninos da Talude. Iniciamos 2018 com um lançamento da banda natalense composta por Victor Romero, Jônatas Barbalho, Felipe Beniz e João Victor Moura: uma nova versão da música “Rvptvra” (originalmente “Ruptura”), presente no EP “Fragmento”, lançado no início do ano passado. “É meio estranho falar de um formato eletrônico para a Talude, até porque algumas músicas que tocamos com banda nasceram de coisas que surgiram com sintetizadores e beats”, diz Victor. “Nós flertávamos com a ideia de criar um formato que possibilitasse levar nosso som ao vivo para outros ambientes que, muitas vezes, não comportavam uma apresentação com banda completa”. 2017 foi um ano para a Talude se reinventar e iniciar 2018 de uma forma diferente. “É quase como se estivéssemos pegando nossas músicas e traduzindo elas para outro idioma”, finaliza Vik. A session eletrônica de “Rvptvra” você pode conferir abaixo com exclusividade.  

Jundiaí afora, ‘Regina’ mostra que niLL não é outro rapper genérico

Um ano após a atmosfera nostálgica que envolve o Negraxa, niLL, o mestre de cerimônias radicado em Jundiaí lançou seu primeiro álbum solo intitulado Regina via o selo Sound Food Gang. O álbum é uma ode a própria existência: nomeado em homenagem póstuma a sua mãe, a capa desenhada pela sobrinha, as faixas estruturadas em cima de recortes de áudios do whatsapp. Multifuncional, niLL também atuou na produção do álbum e as noites em claro no programa FL Studio sustentam a atmosfera intimista. A sonoridade é plural, flerta com jazz fusion, vaporwave e trap, atraindo ouvintes de nichos além da cena que o apadroa. As letras contemplam com uma riqueza agridoce temas como perda, ambição e desilusão. Muito embora a quantidade de recortes beire a um risco, a execução com brilhantismo inegável costura a gama de influências de um indivíduo com bagagem cultural. Regina possui uma integridade artística que supera os trabalhos anteriores, muito além do diamante bruto do Sem Modos e da veia hedonista que limita os artistas a cor da erva que fumam. …

Viagens e experiências sinestésicas no novo clipe da The Shorts

Misturando o onírico e o psicodélico que dão a essência da letra, a banda curitibana The Shorts lança o clipe de “Vivid Vision”, com exclusividade pelo Autonomia. A direção do vídeo é assinada pela vocalista Natasha Durski e apresenta imagens que são fruto de muitas das suas pirações, resultado de sonhos recorrentes no imaginário da banda. Esse é o primeiro trabalho visual do disco de estreia, Dawn, lançado no fim de 2016, e marca o início da parceria entre a banda e o selo musical PWR Records. Assista:

Vozes femininas brasileiras e seus clássicos obrigatórios

Dentro do cenário musical brasileiro são incontáveis os trabalhos de mulheres, seja compondo ou apenas interpretando canções de terceiros. Essa lista foi feita buscando condensar em poucas palavras álbuns interpretados por vozes femininas que deixaram ou irão deixar seu legado para a música brasileira.  Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo – Cassia Eller (1999) Quinto álbum de estúdio da cantora, é até hoje considerada sua obra-prima, com músicas escritas por Caetano Veloso, Luiz Melodia, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, entre outros vários músicos. Cássia sempre preferiu interpretar músicas de outros artistas ao invés de compor suas próprias canções, por isso nenhuma das músicas do álbum foi escrita por ela. A música que abre o álbum “Segundo Sol” é uma das mais conhecidas da artista, depois apenas de “Malandragem”.  A Voz do Samba – Alcione (1975) Primeiro álbum de estúdio de Alcione, que em sua estreia já tinha entre as faixas as músicas “Não Deixa o Samba Morrer”, até hoje sua canção mais popular, regravada também por Marisa Monte e outros artistas, e “O Surdo”, outra música presente em coletâneas que revisitam diversas obras da cantora e também seu repertório de shows.   Falso Brilhante – Elis Regina (1976) Álbum em estúdio do espetáculo teatral “Falso Brilhante”, que ficou em cartaz por um período de dois anos. As canções ao mesmo tempo que contam a história de vida e carreira de Elis, ainda que nenhuma das canções tenha …

EP3: Metá Metá

Os integrantes do Metá Metá estão de volta com um trabalho novinho em folha: o EP3. O EP conta com duas canções compostas pela banda que ficaram de fora da trilha do espetáculo de dança do Grupo Corpo, Gira: “Odara Elegbara” e “Ajalaiye”, ambas em homenagem ao orixá Exu, segundo a própria banda. São duas canções intensas e com diferentes elementos musicais. Vale a pena a ouvida. Você pode baixar o EP3 clicando aqui. O Metá Metá já tem três shows de lançamento do EP marcados; dia 12/08 no Festival Criolina, em Brasília; 13/08 no SESC Pinheiros, em São Paulo; e dia 18/08, junto com a banda Rakta, no Circo Voador, no Rio de Janeiro.

12 lançamentos imperdíveis do primeiro semestre de 2017

O primeiro semestre do ano foi cheio de lançamentos incríveis dentro do cenário independente e, pensando nisso, a equipe do Autonomia fez uma difícil seleção dos 12 melhores álbuns e EPs pra vocês ouvirem. Mariana Ribeiro @maribeiro_ Kiko Dinucci – Cortes Curtos Lançado em 7 de fevereiro, o Cortes Curtos me fisgou na primeira ouvida. O álbum, composto por 15 faixas (15 pedradas pra ser mais exata), é propício para ouvir em volume alto e sem pausa. É um álbum que reflete São Paulo de diferentes maneiras dentro de cada letra. Cortes Curtos é um álbum que cresce cheio de barulho e histórias e, até agora, o meu preferido do ano. Foco na maravilhosa “Chorei” e “Vazio da Morte”. gorduratrans – paroxismos “Paroxismo” é uma palavra dentro da medicina que descreve o momento de intensidade máxima de uma dor e, bem, é resumidamente o que o segundo álbum do gorduratrans transmite. É um álbum sobre dores, mas não de uma forma superficial, porque você consegue senti-las através das letras de Felipe Aguiar (voz e guitarra) …