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O show do Lô Borges no Circo Voador e sua divisão de águas

Inacreditável esse show do Lô Borges, sério. Assim, eu preciso dizer antes de começar direito que existem significados diversos por trás dele. Significados não só trazidos por mim, como pela Ana Beatriz – redatora e revisora do Autonomia – presente nesse dia também. Foi a gravação do DVD “do Tênis”, primeiro disco do Lô Borges- pós Clube da Esquina, álbum de artistas liderados por ele e Milton Nascimento – que não exatamente se chama “Disco do Tênis”, o álbum é homônimo, mas ficou conhecido por esse nome. O próprio Lô define o álbum como “um disco de malucos para malucos”; diferentes matérias falam que “é um álbum à frente de seu tempo (1972)” e, segundo o próprio cantor no show de gravação do DVD, foi gravado às pressas. “Eu fazia música de manhã, meu irmão Márcio Borges fazia letras à tarde e à noite”, dissera para o público presente no Circo Voador. Para Ana Beatriz e eu, o tal “Disco do Tênis” foi uma ruptura de um período ruim. Existe um antes e um depois …

Ano novo, Talude nova

Já diziam algumas (várias) línguas “ano novo, vida nova” e, aqui no Autonomia, nós levamos isso muito a sério. Nós e os meninos da Talude. Iniciamos 2018 com um lançamento da banda natalense composta por Victor Romero, Jônatas Barbalho, Felipe Beniz e João Victor Moura: uma nova versão da música “Rvptvra” (originalmente “Ruptura”), presente no EP “Fragmento”, lançado no início do ano passado. “É meio estranho falar de um formato eletrônico para a Talude, até porque algumas músicas que tocamos com banda nasceram de coisas que surgiram com sintetizadores e beats”, diz Victor. “Nós flertávamos com a ideia de criar um formato que possibilitasse levar nosso som ao vivo para outros ambientes que, muitas vezes, não comportavam uma apresentação com banda completa”. 2017 foi um ano para a Talude se reinventar e iniciar 2018 de uma forma diferente. “É quase como se estivéssemos pegando nossas músicas e traduzindo elas para outro idioma”, finaliza Vik. A session eletrônica de “Rvptvra” você pode conferir abaixo com exclusividade.  

Jundiaí afora, ‘Regina’ mostra que niLL não é outro rapper genérico

Um ano após a atmosfera nostálgica que envolve o Negraxa, niLL, o mestre de cerimônias radicado em Jundiaí lançou seu primeiro álbum solo intitulado Regina via o selo Sound Food Gang. O álbum é uma ode a própria existência: nomeado em homenagem póstuma a sua mãe, a capa desenhada pela sobrinha, as faixas estruturadas em cima de recortes de áudios do whatsapp. Multifuncional, niLL também atuou na produção do álbum e as noites em claro no programa FL Studio sustentam a atmosfera intimista. A sonoridade é plural, flerta com jazz fusion, vaporwave e trap, atraindo ouvintes de nichos além da cena que o apadroa. As letras contemplam com uma riqueza agridoce temas como perda, ambição e desilusão. Muito embora a quantidade de recortes beire a um risco, a execução com brilhantismo inegável costura a gama de influências de um indivíduo com bagagem cultural. Regina possui uma integridade artística que supera os trabalhos anteriores, muito além do diamante bruto do Sem Modos e da veia hedonista que limita os artistas a cor da erva que fumam. …

Como gorduratrans saiu do subúrbio pra conquistar o país

Foto por: Lucas Santos No dia 27/09/2015 era lançado o repertório infindável de dolorosas piadas, debut da banda carioca gorduratrans, formada por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz). A ideia do gorduratrans surgiu no início de 2015, logo após Felipe e Luiz saírem de sua antiga banda. Os dois, que se conheceram no final de 2012 através de um grupo no Facebook, criaram um laço de amizade tão forte que decidiram manter a banda só entre eles. Uma amizade que ultrapassou o limite do duo assim que o repertório começou a tomar forma. E que uniu pessoas de diferentes cantos do país, conquistadas pelas músicas e pelos próprios meninos, que acabaram formando um círculo de amizade. E foi para falar dessas relações formadas, da música na vida dos dois e do repertório infindável de dolorosas piadas que eu conversei com o gorduratrans. Qual sua relação com o Felipe? Luiz: Minha relação com o Felipe é muito tranquila, sempre foi. Temos muitos gostos e opiniões parecidas, nos mais variados contextos, então …