Autor: Mariana Ribeiro

O show do Lô Borges no Circo Voador e sua divisão de águas

Inacreditável esse show do Lô Borges, sério. Assim, eu preciso dizer antes de começar direito que existem significados diversos por trás dele. Significados não só trazidos por mim, como pela Ana Beatriz – redatora e revisora do Autonomia – presente nesse dia também. Foi a gravação do DVD “do Tênis”, primeiro disco do Lô Borges- pós Clube da Esquina, álbum de artistas liderados por ele e Milton Nascimento – que não exatamente se chama “Disco do Tênis”, o álbum é homônimo, mas ficou conhecido por esse nome. O próprio Lô define o álbum como “um disco de malucos para malucos”; diferentes matérias falam que “é um álbum à frente de seu tempo (1972)” e, segundo o próprio cantor no show de gravação do DVD, foi gravado às pressas. “Eu fazia música de manhã, meu irmão Márcio Borges fazia letras à tarde e à noite”, dissera para o público presente no Circo Voador. Para Ana Beatriz e eu, o tal “Disco do Tênis” foi uma ruptura de um período ruim. Existe um antes e um depois …

O Coletivo Amarrilha quer mostrar o potencial de São Carlos pra todo mundo

Amarrilha, segundo o dicionário, é “o cordão ou fio com o que se ata alguma coisa”. Com o mesmo nome e inspiração, nasce em São Carlos, interior de São Paulo, o coletivo composto por Ana Claudia Caixeta, Ana Julia Lima, Andre Amadeu, Bruna Moraes, Bruno Barbato Jacobovitz, Giovani Bogas, Guilherme Leone Vila, Julio Bertacini e Malu Tinôco. Para fazer uma boa utilização do cordão que os une, o Amarrilha surge com a proposta bacaníssima de priorizar os artistas da região e todo o interior, além de levar rolês de todo o Brasil para lá. Bom, vocês sabem que o Autonomia ama essa galera que descentraliza os eventos das capitais, né? Pois é. Foi por isso que a gente trocou uma ideia com esses jovens incríveis falando sobre o próprio coletivo, os rolês que eles armam e a cena independente atual. Também lançamos com exclusividade a live da Paola Rodrigues , da Geração Perdida de Minas Gerais, gravada pelo Coletivo, que você pode conferir no final do texto. Autonomia:  Quais os melhores shows que vocês já viram? Malu:  …

Ano novo, Talude nova

Já diziam algumas (várias) línguas “ano novo, vida nova” e, aqui no Autonomia, nós levamos isso muito a sério. Nós e os meninos da Talude. Iniciamos 2018 com um lançamento da banda natalense composta por Victor Romero, Jônatas Barbalho, Felipe Beniz e João Victor Moura: uma nova versão da música “Rvptvra” (originalmente “Ruptura”), presente no EP “Fragmento”, lançado no início do ano passado. “É meio estranho falar de um formato eletrônico para a Talude, até porque algumas músicas que tocamos com banda nasceram de coisas que surgiram com sintetizadores e beats”, diz Victor. “Nós flertávamos com a ideia de criar um formato que possibilitasse levar nosso som ao vivo para outros ambientes que, muitas vezes, não comportavam uma apresentação com banda completa”. 2017 foi um ano para a Talude se reinventar e iniciar 2018 de uma forma diferente. “É quase como se estivéssemos pegando nossas músicas e traduzindo elas para outro idioma”, finaliza Vik. A session eletrônica de “Rvptvra” você pode conferir abaixo com exclusividade.  

A Ventilador de Teto é uma barbaridade

A banda Ventilador de Teto é nova no pedaço, literalmente, porque a gurizada é jovem. Composta por quatro meninos da Baixada Fluminense e com um EP tudo de show, o Desejo/Sufoco, eles entraram no cenário independente com críticas positivas sobre seu som e uma parte disso se deve à incrível Bárbara Martins, a mulher por trás de tudo o que eles fazem e a “opinadora” oficial da VDT. E é sobre a banda, influências e Bárbara que eu e Isabelle Vímara conversamos com a ‘Ventilador’ lá em Duque de Caxias. Vamos lá… Pergunta básica: quais as influências da banda? VDT: Inicialmente, a gente fez um top 5 e tinha Velvet Underground, Bob Dylan, The Strokes, The Smiths e The Beatles. O quão importante pra vocês é a questão da autenticidade? Porque dentro da cena existem muitas críticas sobre as bandas serem genéricas, não de uma forma negativa, claro. Mas qual o diferencial de vocês em relação a isso? VDT: A gente copia tudo. Nada é original, é só você saber disfarçar, deixar as coisas entrelinhas. Acho …

Como gorduratrans saiu do subúrbio pra conquistar o país

Foto por: Lucas Santos No dia 27/09/2015 era lançado o repertório infindável de dolorosas piadas, debut da banda carioca gorduratrans, formada por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz). A ideia do gorduratrans surgiu no início de 2015, logo após Felipe e Luiz saírem de sua antiga banda. Os dois, que se conheceram no final de 2012 através de um grupo no Facebook, criaram um laço de amizade tão forte que decidiram manter a banda só entre eles. Uma amizade que ultrapassou o limite do duo assim que o repertório começou a tomar forma. E que uniu pessoas de diferentes cantos do país, conquistadas pelas músicas e pelos próprios meninos, que acabaram formando um círculo de amizade. E foi para falar dessas relações formadas, da música na vida dos dois e do repertório infindável de dolorosas piadas que eu conversei com o gorduratrans. Qual sua relação com o Felipe? Luiz: Minha relação com o Felipe é muito tranquila, sempre foi. Temos muitos gostos e opiniões parecidas, nos mais variados contextos, então …

A gente acha que todo mundo deveria ver um show da Mahmed na vida

Foto por Yasmin Kalaf Lopes. A Mahmed, desde o seu EP de estreia “Domínio das Águas e dos Céus“, em 2013, vem chamando a atenção não apenas dentro do cenário independente, mas no cenário musical como um todo. Composta por Walter Nazário (guitarra), Dimetrius Ferreira (guitarra), Leandro Menezes (baixo) e Ian Medeiros (bateria), a banda instrumental, sempre muito bem elogiada por suas apresentações ao vivo (acredite quando eu digo isso, porque basicamente todo mundo ao meu redor é apaixonado pelos shows deles), já tocou em festivais desde Coquetel Molotov em Recife, até o aclamado Primavera Sound na Espanha. Atualmente, a banda encontra-se gravando seu segundo álbum, com previsão para o início de 2018 pela Balaclava Records. É ou não é para começar o ano bem? Pensando nisso, o Autonomia conversou com Walter e Leandro sobre shows, música e o futuro da banda. Como a Mahmed começou? Leandro: Começou entre 2012 e 2013. Sou amigo de Dimetrius há muitos anos e sempre tivemos o interesse de fazer algum projeto, mas nada saía do papel, a não ser …

EP3: Metá Metá

Os integrantes do Metá Metá estão de volta com um trabalho novinho em folha: o EP3. O EP conta com duas canções compostas pela banda que ficaram de fora da trilha do espetáculo de dança do Grupo Corpo, Gira: “Odara Elegbara” e “Ajalaiye”, ambas em homenagem ao orixá Exu, segundo a própria banda. São duas canções intensas e com diferentes elementos musicais. Vale a pena a ouvida. Você pode baixar o EP3 clicando aqui. O Metá Metá já tem três shows de lançamento do EP marcados; dia 12/08 no Festival Criolina, em Brasília; 13/08 no SESC Pinheiros, em São Paulo; e dia 18/08, junto com a banda Rakta, no Circo Voador, no Rio de Janeiro.

12 lançamentos imperdíveis do primeiro semestre de 2017

O primeiro semestre do ano foi cheio de lançamentos incríveis dentro do cenário independente e, pensando nisso, a equipe do Autonomia fez uma difícil seleção dos 12 melhores álbuns e EPs pra vocês ouvirem. Mariana Ribeiro @maribeiro_ Kiko Dinucci – Cortes Curtos Lançado em 7 de fevereiro, o Cortes Curtos me fisgou na primeira ouvida. O álbum, composto por 15 faixas (15 pedradas pra ser mais exata), é propício para ouvir em volume alto e sem pausa. É um álbum que reflete São Paulo de diferentes maneiras dentro de cada letra. Cortes Curtos é um álbum que cresce cheio de barulho e histórias e, até agora, o meu preferido do ano. Foco na maravilhosa “Chorei” e “Vazio da Morte”. gorduratrans – paroxismos “Paroxismo” é uma palavra dentro da medicina que descreve o momento de intensidade máxima de uma dor e, bem, é resumidamente o que o segundo álbum do gorduratrans transmite. É um álbum sobre dores, mas não de uma forma superficial, porque você consegue senti-las através das letras de Felipe Aguiar (voz e guitarra) …

A Cosmoplano Records não quer dominar o mundo, mas já tá fazendo muito por ele

Talvez eu seja meio suspeita pra falar, mas durante uma das minhas últimas viagens ao Rio de Janeiro eu estava conversando com um amigo e ele me contou sobre a proposta da Cosmoplano e o quanto era encantado com isso. Disse que o intuito do selo era levar música para a Baixada Fluminense, coisa que não acontecia frequentemente, visto que a concentração de eventos de música independente no Rio é basicamente centro e zona sul. Aí tal encanto passou para mim a ponto de, entre tantos selos incríveis por aí, ter a responsa de falar sobre ele. Conversei com a Deb e ela me contou um pouco mais sobre o selo. A Cosmoplano foi fundada em 2016 pela Deb e pela Duda e funciona lá na Baixada Fluminense, mais especificamente em Mesquita. Segundo a Deb, mesmo tendo as duas como responsáveis, o selo sempre conta com a ajuda de alguns amigos, os quais sempre estão dispostos a fazer a coisa andar na mesma proporção que as meninas. “Tenho um home studio bem improvisado na baixada …