Destaques, Especial, Isso não é uma review
Deixar um comentário

O show do Lô Borges no Circo Voador e sua divisão de águas

Inacreditável esse show do Lô Borges, sério. Assim, eu preciso dizer antes de começar direito que existem significados diversos por trás dele. Significados não só trazidos por mim, como pela Ana Beatriz – redatora e revisora do Autonomia – presente nesse dia também.
Foi a gravação do DVD “do Tênis”, primeiro disco do Lô Borges- pós Clube da Esquina, álbum de artistas liderados por ele e Milton Nascimento – que não exatamente se chama “Disco do Tênis”, o álbum é homônimo, mas ficou conhecido por esse nome.

O próprio Lô define o álbum como “um disco de malucos para malucos”; diferentes matérias falam que “é um álbum à frente de seu tempo (1972)” e, segundo o próprio cantor no show de gravação do DVD, foi gravado às pressas. “Eu fazia música de manhã, meu irmão Márcio Borges fazia letras à tarde e à noite”, dissera para o público presente no Circo Voador. Para Ana Beatriz e eu, o tal “Disco do Tênis” foi uma ruptura de um período ruim.

Existe um antes e um depois desse show, que vai além de todo o repertório, de toda essa grandiosidade do disco. O Lô Borges representa muito pra Ana e a Ana representa muita coisa pra mim, logo, ambos se unificaram.

2017 foi um ano pesado tanto pra mim, quanto pra ela. Algumas perdas de perspectivas futuras, algumas decepções no meio do caminho. Em todos esses caminhos ano passado, Ana e eu estávamos ali uma para a outra. No meio de 2017, decidimos morar juntas com mais uma amiga e olha, foi um perrengue pra achar esse lugarzinho. Em diversos momentos, achamos que nada iria vingar, mas vingou. Muitas coisas que tínhamos perdido a esperança, largado mão, começado a ver com olhar pessimista, está vingando. 2018, por enquanto, está sendo um ano de reviravoltas. Reviravoltas essas que decidimos simbolizar com este show.

De “Você fica melhor assim” até “Toda essa água”, passando pelas canções do Clube da Esquina, como a perfeita “Um girassol da cor do seu cabelo”, foi um show marcado pelo fim e o início de um ciclo. De certa forma, 2018 começou ali, deixando pra trás todos os males ocorridos e certos desamores. Nada será como antes.

Obrigada, Lô Borges.