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O Coletivo Amarrilha quer mostrar o potencial de São Carlos pra todo mundo

Amarrilha, segundo o dicionário, é “o cordão ou fio com o que se ata alguma coisa”. Com o mesmo nome e inspiração, nasce em São Carlos, interior de São Paulo, o coletivo composto por Ana Claudia Caixeta, Ana Julia Lima, Andre Amadeu, Bruna Moraes, Bruno Barbato Jacobovitz, Giovani Bogas, Guilherme Leone Vila, Julio Bertacini e Malu Tinôco. Para fazer uma boa utilização do cordão que os une, o Amarrilha surge com a proposta bacaníssima de priorizar os artistas da região e todo o interior, além de levar rolês de todo o Brasil para lá.

Bom, vocês sabem que o Autonomia ama essa galera que descentraliza os eventos das capitais, né? Pois é. Foi por isso que a gente trocou uma ideia com esses jovens incríveis falando sobre o próprio coletivo, os rolês que eles armam e a cena independente atual.

Também lançamos com exclusividade a live da Paola Rodrigues , da Geração Perdida de Minas Gerais, gravada pelo Coletivo, que você pode conferir no final do texto.


Autonomia:  Quais os melhores shows que vocês já viram?

Malu:  O melhor show que eu já vi foi o Sigur Ros em novembro de 2017, porque o show foi foda em questão de imagem e sonoridade, me dando sensações que eu nunca senti na vida e, além disso, eu assisti com muitos amigos, com uma grande parte do coletivo junto.

Giovani:  Sigur Ros também, mas o que eu mais gostei foi o do Baleia, que rolou na mesma época.

Ana Julia:  O melhor show que eu já vi foi o do Sonic Youth no SWU (assisti pela tv mas acho que conta né?).

A:  E os que vocês já produziram?

Bruna:  O melhor show que a Amarrilha produziu, pra mim, foi o da Cora, mas o que eu mais gostei foi um show de quando a gente não tinha nem nome, o da turnê Sem Sair na Rolling Stone do Vitor Brauer, Jonathan Tadeu e Fernando Motta, porque eu amo a Geração Perdida e acho que eles fazem um trabalho foda.

Malu:  Fiquei muito emocionada com o sarau que a gente fez em novembro, foi um rolê gratuito e a gente chamou quatro projetos da cidade, teve palco aberto e as pessoas gostaram demais. Foi muito gratificante.

Ana Julia:  O da Cora, porque a gente se surpreendeu com o que podia fazer. O rolê do sarau também foi incrível, pois nosso objetivo de integrar nosso trabalho com a galera de São Carlos foi alcançado.

A:  Se vocês pudessem armar um rolê com qualquer ser humano ou banda, qualquer um mesmo, existindo ou não, quem seria? E por quê?

Bruna:  Adoraria trazer The Wytches, pois é minha banda preferida. Porém, se for pra ser realista, escolheria a Sakura do Naruto, porque acho que ela tem muita coisa a dizer ainda e acho que sairia um bom punk disso. Ou talvez um spoken word dos tweets do Taison Freda, porque ele sabe falar com o coração.

Malu:  Eu tenho um sonho de produzir um show do Rakta aqui em São Carlos, porque eu amo demais as meninas.

Ana:  Se eu pudesse trazer alguém eu traria CocoRosie, porque ela tem uma pegada lo-fi e transmite uma visão de mundo muito foda com o próprio som.

A:  O que vocês esperam do cenário independente brasileiro daqui pra frente?

Bruna:  Eu espero ver os meus amigos se unam cada vez mais e fazendo as coisas acontecerem, tipo a Pessoa que Voa de São Paulo e a Rapadura Records lá de São João – MG. E, assim, a Rapadura me dá uma perspectiva de que a cena do interior tá crescendo, saca? Já não é uma coisa apenas concentrada nas capitais. Interior tá ganhando voz.

Giovani:  Eu não conheço muita coisa ainda, mas eu acho que as coisas independentes colaborassem mais entre si, não só como colaboração musical, mas arte no geral. Principalmente imprensa que não abre muito espaço pra imprensa autônoma (rs). Conheço pouco, mas gostaria que as pessoas colaborassem mais com coisas novas.

Ana:  Eu não conheço tanto o cenário independente brasileiro, mas acho que a gente tá num momento único, histórico e tem que aproveitar ele. Nisso eu queria que todo mundo fosse menos “bolha” e entendesse que a gente tá num momento mais político. Queria muito ver também mais mulheres fazendo música, porque sempre tem uma barreira quanto a isso e sem competitividade umas com as outras, como sempre é colocada em tudo o que mulher faz.

A:  E o que vocês mais gostam da “cena”?

Bruna:  O que eu mais gosto na cena é exatamente essa junção de amigos, é o “faça você mesmo”, poder ir em show massa sem ter que gastar muito, ver uma galera curtindo os mesmos shows que eu e não colocando artistas em pedestais.

Malu:  Essa coisa de não existir barreira entre artista e público. Nunca pensei que fosse possível ser amiga das pessoas que eu gosto da música.

Giovani:  Gosto de poder saber que posso trocar uma ideia com um artista depois do role. A música fica uma coisa muito mais humana.

Ana:  Eu gosto muito do “faça você mesmo”. É uma perspectiva que se abriu pra todo mundo de que você não precisa da melhor estrutura, não precisa começar sendo foda, você pode experimentar. E também gosto da conexão que a gente consegue ter com o Brasil inteiro. Todo mundo se ajuda.

A:  Pra finalizar, quais são os próximos passos do Amarrilha?

Bruna:  Os próximos passos da Amarrilha são continuar focando em artistas de São Carlos e região e continuar trazendo artistas que a gente quer ouvir.

Malu:  Acho que vai ser muito massa pra gente esse ano, pois agora tem um estúdio na casa do Giovani e nesse estúdio vai rolar muita coisa. Vai fazer com que a gente grave pessoas, grave lives e ajude as pessoas aqui de São Carlos.

Ana:  É um ano de se estabelecer, somos muito novos. É a hora de São Carlos conhecer a gente, pra gente sair desse eixo e levar a galera daqui pra fora. O interior tá com peso esse ano, então tem que trabalhar pra fazer acontecer.