Autonoindica, Destaques
Deixar um comentário

O ÀTTØØXXÁ está ressignificando os sons e sinais das ruas de Salvador

Foto: Luisa Queiroz

Todo mundo sabe que a Bahia é vanguarda na música brasileira. O que pouca gente imaginava era que a música do carnaval de 2018 sairia de um quarto. Cama, berço, alguns equipamentos e quatro criativos – Rafa Dias, Osmar ‘Oz’, Raoni Knalha e Wallace ‘Chiba’ – cheios de vontade de botar seus discursos próprios no mundo. É dentro desse contexto que ÀTTØØXXÁ se cria e constrói.

A noção de casa – física ou não – é ponto focal na produção do grupo. O som faz referência ao que está e esteve presente no diário de cada um, sempre somando à experimentação. Salvador também é Norte para a produção sonora e visual dos quatro, trazendo à tona muito mais que a noção limitada de “sol, suor e axé”. De acordo com Rafa, cada pedaço da cidade carrega uma entidade e, pra mim, essa geografia está presente em todo o trabalho construído até agora por eles.

Criado como projeto solo de Rafa Dias, ÀTTØØXXÁ conta hoje com dois discos gravados: É F*DA P*RRA e BLVCKBVNG. O último é uma apresentação do trabalho de Oz e sua vasta experiência no Pagodão. De acordo com os meninos, a ideia é montar uma trilogia em que o foco seja voltado para as ideias de cada um dos membros que embarcaram no projeto. O próximo já tem nome e vai ser assinado pelas pirações de Raoni: Love Box. A promessa é de que vai arrebatar corações e sair ainda no primeiro semestre de 2018.

Além de meter dança até as perninhas pedirem arrego, eu e Luisa Queiroz batemos um papo com os meninos antes do show deles no Circo Voador. O resultado você lê aqui embaixo.


Existe um preconceito muito grande com o som que vem do popular. Vocês abraçam essa sonoridade e somam à identidade do grupo. Queria entender qual a importância dessa mistura pro que vocês constroem.
Rafa: Eu acho que o som que a gente faz é o que tá dentro da gente. Nunca paramos pra ficar analisando o que queríamos fazer porque na real sempre sentimos o desejo de trabalhar com as sonoridades. Oz e Chiba são criados dentro desse contexto. Talvez eu e Raoni sejamos um pouquinho mais de fora, nós já vivenciamos algumas outras coisas, mas isso é o real da nossa cidade e tá no nosso DNA. A gente nasce e cresce escutando e rola um interesse em trabalhar com a música popular e conseguir dar, talvez, a nossa visão de mundo. Muito do preconceito que rola é pela música ter um apelo imediato, de querer atingir rápido. O termo putaria da música de Salvador veio de alguns referenciais do Rio de Janeiro. Ali em 2005, o som do Rio começou a ir com força pra lá e surgiram os primeiros pagofunks. A gente não tira como ruim ou como bom. Faz parte da sua vida. Às vezes, a gente tá julgando uma pessoa e nem passa na cabeça dela que existe uma atrocidade com as minorias.

Raoni: É muito da vida dele ali. Você tá na comunidade e lida com várias situações que são adversas a outros tipos de coisas que são normais aqui.

Oz: O cara passa, me respeita, pede a bênção pra tia…

Raoni: E aí já vai pra putaria [risos]

Rafa: A gente tenta dar um novo olhar e sempre conversou sobre tornar isso possível. Lá pra Salvador mesmo existe a onda de querer se adequar a um formato e acho que o que a gente tá fazendo é justamente pra mostrar que existe uma diversidade de coisas que podem ser feitas com os ritmos populares. A gente realmente vai a fundo no que quer propor. Fizemos o disco de Oz, BLVCKBVNG, todo em tom menor pra mostrar uma outra forma de pensar Salvador – que é muito vista como sol, sorriso e tom maior. Temos a preocupação de nos comunicarmos com a cidade que existe e que é capaz de fazer outras coisas além do que sempre existiu.

Ainda um pouco nesse lugar, em termos de produção, como vocês trabalham as referências do grupo? Vocês sentem que a galera faz uma reflexão sobre de onde vem esse som e o que ele carrega?
Rafa: Nós separamos um momento do nosso show pra dar um pouquinho de referências que nos criaram também. Quando pensamos nesse momento era pra justamente mostrar que existe uma linha histórica atrás de nós. Passamos pelos sambas de roda, pelo pagodão das antigas mesmo. Pelo menos na Bahia, sinto que o que tá acontecendo nesse contrafluxo em que rolou toda a indústria massiva é justamente isso. A música chegou a um ponto de explorar a galera. Os músicos sempre tiveram o desejo de fazer algo novo. Mas o empresário ditava o que dava certo.

Rolou uma movimentação de colocar as músicas numa caixinha do que vende.
Rafa: E quando se faz isso, você sabe que a música fica com uma durabilidade. Você bota na caixa ali pra 5, 10 anos depois. Mas no momento, ninguém mais vai tar aguentando.

Dá uma impressão de que é sempre a mesma coisa, que no carnaval rola a mesma coisa.
Raoni: Acredito que foi isso que ditou um pouco o pessoal que tinha grana pra fazer lá. Rolou um impasse porque muita coisa que queria emergir era escanteada pela galera: “vamos reproduzir só isso aqui mesmo porque tá dando dinheiro pra gente”. Parece que a gente surge como revolução nesse momento porque as pessoas ficaram carentes de som. Eu acredito que a nossa ideia é passar tudo que pegamos ali, o que queríamos externar e não deixaram. Agora a gente ta fazendo isso aí.

Vocês sentem que foi uma movimentação natural? Citando o BaianaSystem como exemplo, que é uma galera que tá trabalhando aí há mais de 10 anos, rolou uma influência disso?
Rafa: Na real, antes de Russo sempre existiu o interesse na Bahia. Acho que o Baiana é o ponta de lança que conseguiu se comunicar com o público. Esse público lá em Salvador ainda é muito de classe média. Acredito até que por isso essa bolha quebrou – é quem consome e tem poder de compra. Mas se eu te der um paralelo, antes do Baiana já tinha muita coisa acontecendo, inclusive no próprio pagodão. Oz participou de muita coisa foda. O Shake Style, por exemplo, era uma banda que fazia música baiana e eletrônica e que era guetão mesmo.

Oz: O Psirico também.

Rafa: Acho que duas coisas ajudaram no impulso maior. Uma é a internet, que deu visualização e alcance. Até pouco tempo atrás a gente pensava em 10.000 pessoas de alcance. Hoje a gente sabe e estuda os mecanismos da internet. As pessoas fora do eixo indústria começaram a entender que tinham uma ferramenta que não dava pra frear e conseguiram entender como se comunicar na internet. Outra coisa que eu acho que ajudou nessa virada rolou especificamente lá em Salvador, o Furdunço – que é o carnaval fora de época. Antes existiam os blocos, as cordas e todo um conceito de carnaval. Quando criaram o Furdunço, o governo fez uma espécie de mini trio-elétrico com bandas que eram fora do eixo e que também seguiam linhas diferentes – da fanfarra até a música para crianças. Tem toda uma diversidade que a cidade não tinha visto até esse momento de festejo. O BaianaSystem foi um dos primeiros a conseguir entrar nesse mecanismo, até porque eles têm duas gerações a mais de estudo. A gente vem de outra parada. São duas gerações depois, então pra gente conseguir captar e entender como funcionava… tudo começou pela gente mesmo. Fizemos nossa festa, a festa começou a bombar…

Oz: Fizemos o quarto de estúdio… [risos]

Rafa: A gente começou tudo lá no nosso quartinho.

Oz: E o pessoal achando que a gente tava produzindo em estúdios. Como cai na tese que Rafa falou, a internet chegou e abriu espaço. Mais democrático.


Foto: Luisa Queiroz

E como começou a ideia de fazer som dentro de casa?
Rafa: Eu comecei a ver isso fora do Brasil por conta de uma cena chamada Ghettotech que não sei se hoje falam muito sobre. O Kuduro, a Cumbia Eletrônica, o Dancehall, o Reggaeton e muitos outros ritmos feitos muitas vezes por pessoas que tão em casa sem uma força externa dizendo pra você se enquadrar. O que aconteceu foi isso: a gente é realmente livre quando tá no nosso quarto. A gente conversa e estuda o que quer fazer também, mas tem a liberdade de estar no meu quarto, minha filhinha brincando. Era o mesmo quarto com a cama de casal, o berço dela, as caixinhas de som e a gente trabalhando. Se cria um ambiente de liberdade que transparece na música. Existem bandas com algumas normas de conduta e a gente tem liberdade de sair, fazer o ensaio do nosso jeito. Muita gente achava que não tinha como a gente dar certo dessa forma.

Raoni: A gente faz o esboço e no final a filha de Rafa é a primeira a entregar. Começa o groove lá e ela já dança. Aí já bateu.

Oz: Na barriga ela já escutava. É uma coisa muito família. Acho que o que simboliza esse momento da gente é a verdade. Você poder ganhar a música do carnaval da Bahia e ao mesmo tempo ser elogiado por mulheres. Nossa intenção é de passar tudo da melhor forma possível. O que acontece é isso: família. Esse é o resumo.

Rafa: Oz definiu a parada: verdade. O pós-indústria era meio plástico, meio fakezão, de se enquadrar. “A verdade da cidade” era uma frase que existia no movimento das antigas que ele participava. Era muito genuíno e a gente tá tentando trazer isso de volta, mas de outra forma.

É reflexo de ser independente também, né? Poder peitar e fazer da sua melhor forma.
Rafa: E trazer as pessoas que acreditam nesse formato. Nós temos hoje uma equipe de produção e assessoria que ajuda no nosso trabalho, até pra podermos estar livres pra fazer o que mais queremos, que é a música e o visual. Então, ter essa equipe que acredita nisso é importante porque quando começamos a receber proposta de tudo que é lugar, a primeira coisa que falamos é que nosso trabalho é desse jeito e isso não vai mudar nunca.

A estética de vocês nas redes sociais é muito bonita. Essa preocupação tá presente em tudo é diferente do que tá na “caixinha”. Fala um pouco sobre isso.
Rafa: Total. Na real são duas coisas. Eu tinha uma necessidade imensa de fazer clipe. O vídeo é super importante. O que aconteceu foi que a gente não tinha como fazer, não tinha como pagar alguém, não tinha nada. Decidi investir em conhecer essa porra. Comecei a procurar no YouTube como fazer, comprei uma câmera velha e fuleira e os vídeos foram rolando. Tudo feito em casa ou nos lugares em que a gente passava. Pro clipe de BLVCK BVNG, fomos fazer um show em Camaçari. Chegamos lá e era um teatro fechado com um fundo escuro. Os lugares foram nos levando ao clipe e depois começamos a pensar, mas as imagens surgiram assim.

Com Elvs Gostam, fomos pra casa de um brother que tinha um espaço – Pedro -, alugamos meio mundo de luz e rodamos. A gente tem essa preocupação e pensa minimamente como seria um corte. Não tem técnica, mas me amarro em conhecer essas coisas. Hoje tem um pessoal que faz isso pra gente que são uns vermes mesmo. Pessoas como a gente também que tocavam comigo, começaram a trabalhar e eu chamei pra estar junto. Bruno Zambelli, que é monstrão, tá cuidando do nosso conteúdo visual e o Rafa, que tá cuidando da nossa filmagem. Daqui a pouco você vai ver eles aí, é a mesma galera.

Dá pra ver que tá bem produzido e não é forçado.
Rafa: Tem o interesse de comunicar. Acho que a genialidade das coisas surge do mínimo. O Funk veio com o tum ta ta e em três toques o cara faz um hit. O mesmo pro vídeo né. Você conseguir captar e transformar isso num olhar claro. A gente é pela arte. A gente tem o interesse na arte e na comunicação. É transformar. Agora a gente tá trabalhando com pombos. O pombo que a gente vê em todo lugar e que é escanteado. Por isso, por ser jogado pra escanteio, que faz parte da nossa vivência de jovens negros. Ontem mesmo fomos pro hotel e o cara não queria deixar a gente entrar. Ele era igual a gente. Lá em Salvador tem uma expressão chamada “pombo sujo”. A gente é pombo sujo mesmo e começou a trampar com isso. Ele que tá em todos os lugares, então vamos transformar essa parada na raça.

Salvador tem uma questão territorial muito específica e isso influencia o conteúdo que vocês produzem. Como é esse desenvolvimento?
Rafa: Salvador, para além de tudo que é enlatado lá, tem manifestações e falas em seus lugares como o Pelourinho ou a Ribeira. Em cada bairro existem entidades. A cidade é muito, cada bairro tem sua especificidade, ao mesmo tempo que vocês olham pra lá como se tudo fosse axé. A gente tenta realmente transportar um pouco do que a cidade proporciona. Um retorno do que a cidade nos entrega. Por exemplo, as questões das minorias são coisas que a cidade nos dá, ela querendo ou não. A gente tem que conviver com isso. A violência também é dada pra gente. Tudo isso faz com que a gente escreva e pense na nossa música. A gente recebe relatos das meninas que ficavam desconfortáveis com os olhares nos shows de Pagode e uma galera hoje fala pra gente “que foda ir pro Pagodão e conseguir rebolar sem você estar cantando pra mim”. Os gays ocupam a nossa frente e fazem miséria porque eles se sentem realmente abraçados. A cidade vai nos dando tudo que a gente externa – seja no beat ou na letra. Esse primeiro momento todo do ÀTTØØXXÁ é muito mais baseado na cidade do que em coisas internas nossas mesmo.

Elas Gostam virou música do carnaval e eu queria saber como foi um pouquinho do processo pra chegar aí. O que voces tem recebido de retorno?
Rafa: Acho que como Oz sempre fala, isso é um exercício pra gente manter o pé no chão ali, porque o sucesso mesmo é fazer o que a gente faz amando. A gente ama o que faz, consegue botar música pra qualquer pessoa escutar, sabe? Sem forçar a barra. Muito mudou desde o boom da música. Nossas redes sociais são prova disso.

Oz: A gente também sente essa influência com as bandas já querendo impor uma outra personalidade e postura. E isso é muito importante, é muito bacana. Acho que é muito bom, principalmente quando você chega com uma música que tem um apelo tão forte.

Rafa: A gente sempre acreditou na música no início do início. Bolamos um plano interno de fazer uma trilogia, né? Eu comecei o ÀTTØØXXÁ sozinho, lancei o primeiro disco. Pensamos em fazer o disco de cada um apresentando quem entrou no projeto. Falei pra Oz tomar a frente e ele já tinha muito material. Oz vem de uma criação de mundo baseada na oralidade. Ele não escreve letra, não esquece e muitas músicas do BLVCKBVNG não saíam da nossa cabeça. Ele cantava, ia pra casa e quando eu via tava cantando o dia inteiro. A gente tem interesse em transformar a música popular baiana. Dar nossa versão disso buscando referências do mundo. Queremos comunicar com o máximo de pessoas. Quando Oz vem com esse som que é puramente Bahia, a gente tenta transformar isso em algo que qualquer lugar do mundo consiga escutar. Agora mesmo, mandaram um vídeo da Queen Latifah dançando e improvisando em cima de Elas Gostam. Conseguimos dialogar com uma pessoa que é expoente do que a gente vê no pop. Ela tá lá, querendo cantar em cima e a gente conseguindo passinho a passinho chegar num lugar que sempre almejou.

E como foi o trabalho com Márcio Victor? Vocês tiveram liberdade pra deixar o dedo de vocês no trabalho. Não foi dado de bandeja. É uma parceria de ÀTTØØXXÁ e Psirico.
Rafa: Márcio, antes de tudo, antes mesmo da gente lançar o BLVCKBVNG, foi o primeiro cara que ouviu e quis gravar a música. A gente tava perto de lançar o disco, ansiosos, mas preferiu segurar e depois, mais pra frente, Márcio gravaria. Essa música, se a gente deixasse qualquer outra pessoa trabalhar, poderia vir com outro olhar e a mensagem se perderia. Então, a gente fez questão de estar ali, conversar com ele, explicar, levar a banda pra estúdio e transformar em outra coisa. Raoni botou um pedaço de outra letra, Márcio gravou a percussão toda. A gente fez questão de que fosse uma troca e não um simples “vai lá e faça”.

Oz: E em respeito também ao público que já ouvia a música na nossa interpretação. Seria também um desrespeito a quem acompanhava a gente e fez a música acontecer em nossas festas. Outra curiosidade sobre a parceria com Márcio é que somos do mesmo bairro. A gente é nascido e criado na mesma rua e isso facilitou um pouco. Mas Rafa também já tava tendo uma vivência com ele em alguns estúdios aí, já tinham se trombado.

Rafa: Para além de tudo o que fez a música acontecer, foi o desejo de fazer uma parada junto

Raoni: Um respeito mútuo, acredito que seja isso. Tanto a gente – que já sabia de toda a carga que seria gravar com ele e a expansão disso -, quanto ele, que sacou o potencial do trabalho que a gente já vinha fazendo, do jeito que a gente pensa, do que a gente quer externar pra todo mundo. Ele teve um cuidado, um carinho, um respeito tão grande pela gente que quis fazer da nossa maneira. Quis somar. A gente sabe que existe um pouco de competitividade no axé. Mas ele foi muito safo, nos deixou à vontade e foi um trabalho de união – por isso que rolou esse retorno que tá acontecendo.


Fotos: Luisa Queiroz

Fala um pouquinho do que vem por aí. Qual o próximo passo da trilogia?
Rafa: Acredito que saia ainda no primeiro semestre. A gente vai lançar o disco de Raoni que é o segundo da trilogia. BLVCKBVNG mostrou uma Salvador nublada e eu sinto que o disco de Raoni traz a canção, que tava um pouco perdida na cidade. Uma leitura que eu tenho é de que Salvador começou a virar um oba oba, sem querer dizer se isso é bom ou ruim. Quando ele começou a trazer as primeiras músicas, eu de cara achei super necessário pra esse momento – trazer uma outra visão, um outro DNA de música. O disco tá muito baseado em canção, ele [Raoni] tem criação no samba e no R&B. Comunica muito com o Rio.

Raoni: Esse disco vai trazer uma coisa que não se viu nem no primeiro nem no segundo, que é justamente a parte melódica. Foi muito natural trabalhar nele. Não foi imposto da gente usar essa linguagem pra essa música. A experiência do BLVCKBVNG já era de Oz, a concepção de Rafa no trabalho de produção que ele já vem estudando já era dele, tá presente nos dois discos. Chibatinha veio somando com a guitarra mais fudida que existe no Brasil. Todo mundo tem um pouquinho ali, é 25% de cada. Acredito que esse disco vai ter 25% a mais. É como se ficasse cada vez mais claro o que cada um quer mostrar, como cada um trabalha. É talvez até mais simples o uso de palavras, o entendimento – ÀTTØØXXÁ tem uma tipografia, tem uma questão que vem desde o É F*DA P*RRA que era mais pesado. Agora a gente tá tentando deixar isso mais simples e acredito que essa simplicidade vai trazer uma sonoridade mais comum aos ouvidos e que promete que esse disco seja arrebatador de corações.

Oz: Já deu o toquinho aí

Rafa: E vai se chamar Love Box.

E pra fechar, queria saber o que vocês tão pirando de ouvir.
ÀTTØØXXÁ: OQuadro, Pedro Pondé, Anderson .Paak, Daniel Caesar, Afrocidade, Larissa Luz.

Raoni: Lá em Salvador tá rolando uma onda massa. Acredito que a galera pode voltar os olhos pra lá, não só com a questão da música e não só com um gênero musical, mas todos os leques. Tem também o Baco Exu do Blues que tá fazendo sucesso aqui com o Rap.

Rafa: O que eu tô vendo lá na Bahia que a gente pode indicar é uma parada enorme e sem uma digital muito clara. É aquela digital toda bagaçada. Tem desde Baco que é um Rap mesmo, o afrobeat de IFÁ, uma big band de música baiana que é o Afrocidade, OQuadro que é um roots da bahia. A gente deixa a Bahia inteira pra vocês

Raoni: E pode pesquisar negão, que lá o bicho tá pegando.