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Como gorduratrans saiu do subúrbio pra conquistar o país

Foto por: Lucas Santos

No dia 27/09/2015 era lançado o repertório infindável de dolorosas piadas, debut da banda carioca gorduratrans, formada por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz).

A ideia do gorduratrans surgiu no início de 2015, logo após Felipe e Luiz saírem de sua antiga banda. Os dois, que se conheceram no final de 2012 através de um grupo no Facebook, criaram um laço de amizade tão forte que decidiram manter a banda só entre eles.

Uma amizade que ultrapassou o limite do duo assim que o repertório começou a tomar forma. E que uniu pessoas de diferentes cantos do país, conquistadas pelas músicas e pelos próprios meninos, que acabaram formando um círculo de amizade.

E foi para falar dessas relações formadas, da música na vida dos dois e do repertório infindável de dolorosas piadas que eu conversei com o gorduratrans.


Qual sua relação com o Felipe?

Luiz: Minha relação com o Felipe é muito tranquila, sempre foi. Temos muitos gostos e opiniões parecidas, nos mais variados contextos, então a convivência é algo bem de boa. Acredito que seja justamente pelo fato da nossa relação ser tranquila que trabalhar com ele é algo tão natural pra mim. É muito raro ter alguma situação ou decisão a ser tomada, na qual nossas opiniões estejam de lados radicalmente opostos. Porém, quando há discordâncias, nós resolvemos bem rápido, nem que seja porque um dos lados precisou ceder – geralmente esse lado sou eu. Mas não é como se fosse alguma situação extrema. Como já nos conhecemos há algum tempo, já acostumei com a cara de Kiko de merda dele, com essas bochechas enormes, com o jeito, etc…tudo se torna muito natural. O Felipe é tipo o irmão que eu nunca tive e que eu conheci em um momento muito único da minha vida. Não acho que chegamos a ser confidentes, mas é quase isso.

E eu o agradeço muito por tudo o que ele já fez por mim, pelas conversas e por ter estado/estar ali para ouvir as minhas abobrinhas sempre que eu sinto que preciso me abrir mais com alguém.

Qual sua relação com o Luiz?

Felipe: Eu conheci o Luiz de uma forma muito engraçada e muito inusitada. Na época, eu tinha uma outra banda e estávamos procurando por um novo baterista. Aí entrei num grupo chamado “Tô sem banda RJ” e fui procurar lá. Acabei comentando em uma postagem de um cara que tocava bateria e também estava em busca de uma banda, nisso o Luiz viu e me procurou por mensagem. Foi a partir dessa mensagem que o conheci. E aí nós chamamos ele pra um ensaio e nesse primeiro ensaio ele já entrou na banda. A partir daí que começamos a ser muito amigos. Começamos a trocar muita ideia sobre música, ele me apresentou várias bandas e vice-versa, nos aproximamos muito. Nós ficamos dois anos nessa banda, do início de 2013 até Maio de 2015. Percebemos que tínhamos muitas coisas em comum e fomos criando nosso gosto musical juntos, cada vez mais próximos, montando nossas referências e cada vez mais nos distanciando do resto da banda. Em Junho de 2015, nós montamos o gorduratrans. O “gordura” meio que se fundiu nessa amizade, decidimos ter esse projeto só nosso. A ideia inicial nem era ser duo, mas pela nossa proximidade, preferimos manter assim.

O Luiz é muito meu amigo por isso, compartilhamos muitas coisas. Nesses dois anos da antiga banda, passamos por situações similares e trocamos muita ideia. Eu e ele temos essa cumplicidade. Funcionamos muito enquanto banda pela amizade que temos. Quando não gostamos de uma coisa ou gostamos, temos essa abertura de falar um com o outro. E ter essa cumplicidade facilita muito no projeto todo. Nós cansamos de dormir na casa um do outro, isso muitas vezes. A banda é uma sintetização da nossa amizade, isso é fundamental pra ela funcionar do jeito que funciona, ter as letras que tem, ter essa liberdade de trocar composições, etc.

No meio dessa amizade, tem o Caio Sartori, terceiro membro da banda (mesmo não sendo literalmente), e que é fundamental também pela relação que nós 3 construímos. Temos um grupo que trocamos todas as ideias como banda, enfim, o “gordura” é meio que essa amizade dos 3.

Foto por: Natália Mansur

Como surgiu o nome gorduratrans? (Eu sei que cada um tem sua versão sobre isso e eu quero saber das duas)

gorduratrans: Hahaha sim, cada um tem uma versão, mas incrivelmente o Luiz já criou uma terceira. Enfim, ninguém sabe direito por que surgiu essa ideia, mas a proposta é bem clara pra nós. Quando montamos o projeto, a ideia era não estar presos a convencionalidades. Não digo que não sejamos convencionais, mas que a proposta era estar livre, sem pretensões, e o nome reflete isso. Não tínhamos uma preocupação em ter um nome bonitinho, ou em seguir alguma estética, até porque nunca pensávamos em alcançar alguma coisa. Hoje a ideia que temos da banda já é diferente. Temos nossas pretensões e objetivos. Se o projeto começasse hoje provavelmente o nome seria outro.

O que o Repertório significa pra vocês?

g: Sem exageros, esse disco mudou nossas vidas, talvez de forma irreversível. Com ele, saí pela primeira vez do estado, fiz minha primeira viagem de avião, conheci muitas pessoas e lugares. Foi o disco que nos deu oportunidades, que nos fez conhecer e sermos conhecidos, nos aproximou de pessoas incríveis. É muito difícil tentar imaginar como seriam as coisas agora se ele nunca tivesse existido. E o engraçado é que tem muitos aspectos do disco que já não gostamos mais, mas sabemos reconhecer a importância dele pra nós. Pra toda vida vamos lembrar dele com muito carinho.

É notável o amadurecimento do repertório pro paroxismos. Letras mais pesadas, um perceptível sentimento de dor nelas e nas próprias melodias. Como foi esse processo de transição entre um álbum e outro?

g: Foi bastante natural, até. Não foi uma mudança forçada ou traçada como objetivo, mas quando começamos a estruturar o paroxismos a primeira coisa que estabelecemos foi dar uma pausa pra que ele nascesse no tempo que precisasse. Nós paramos todas as atividades da banda somente pra isso. Ficamos muito tempo sem fazer shows, até mesmo sem ir para o estúdio, pra deixar ele fluir aos poucos, e assim ele foi nascendo. Essa mudança tem também muito a ver com as novas referências que adotamos, o que fez o disco ser mais denso.

Assim como as músicas de vocês tem significado na vida de muitas pessoas, qual o poder que ela, no geral, tem sobre vocês?

g: As nossas músicas não batem muito na gente hoje em dia, muito pelo costume. É engraçada essa relação com elas. A melhor parte é quando tá recente, no processo de produção, porque sempre parece muito maior do que é. Os sentimentos ainda na pele, aquela sensação de recompensa por ter feito mais uma música. Depois de ouvir 300 vezes, ela perde o brilho, mas é algo que não tem como escapar. Essa semana eu vi alguém postando a letra de “silêncio ensurdecedor”, que é uma música que já deve ter um ano que a gente não toca, e bateu essa sensação de felicidade com a letra, mas justamente pela falta de costume. E, tirando essa relação doida com as nossas, música é vida pra gente.

Definam esses dois anos de banda em uma palavra.

g: DOIDERA ou então SHOW. Zoa, pode ser INESPERADO.

Vocês dois ralam pra caralho dia após dia, tanto como banda, quanto individualmente. Obtiveram um reconhecimento absurdo já no primeiro álbum, gravado em casa, às pressas. Viajaram para vários lugares diferentes do país. Com o streaming do repertório, conseguiram juntar dinheiro para gravar o paroxismos. Vocês são uma inspiração para muitos jovens que querem se iniciar na música e até para os que já estão nela. O que sentem em relação a isso?

g: Olha, obrigado. Pra nós é muito bonito e nos dá muito orgulho quando encontramos pessoas que nos veem como referência, até porque, desde o começo, nossas referências sempre foram bandas próximas, do underground nacional; estar do outro lado disso é muito incrível e tentamos ajudar da melhor maneira que podemos. Desde o lançamento do repertório, recebemos mensagens sobre como gravamos o disco em casa, sobre o set de pedais que eu uso, processo de composição e sempre procuramos responder e ajudar todo mundo, com nossas limitações. Há mais ou menos um ano eu criei um grupo no Facebook chamado “Grave Você Mesmo” e coloquei pessoas que sei que tem bom conhecimento de gravação e mixagem e também pessoas que sei que estão atrás de aprender mais sobre. Rolam uns tópicos muito bons no grupo e eu mesmo já aprendi muita coisa lá.

Acho que esse é o maior legado que a gente pode deixar como banda, que é gerar movimento, querer que mais pessoas possam montar bandas e tocar por aí, viajar pra outras cidades, conhecer pessoas, e inspirar mais jovens a fazer o mesmo.

O “gordura”, de certa forma, conseguiu unir pessoas do país todo, criando diferentes círculos de amizade (incluindo uma parte do Autonomia, obrigada). Como vocês se sentem sendo um elo importante desses círculos?

g: Primeiro, obrigado 💕. Segundo, isso é muito doido. Eu acho que, na verdade, a gente fez parte de um movimento no ano passado que fez muita gente se juntar, tanto pelas pessoas, criando círculos de amizade (e, consequentemente, um conjunto de pessoas que ouviam as bandas e iam nos shows, o que financiava os rolês, levando elas a tocar fora da sua cidade, e assim por diante), quanto pela música, criando novas bandas e novos selos, o que é muito incrível. Eu fico muito feliz da gente ter feito parte desse movimento, e ter aproveitado o ano de 2016 pra viajar, fazer amigos e conhecer novos lugares. Eu creio que a gente só tenha sido mais um dos elementos disso tudo, que teve muita gente envolvida, e do país inteiro. Mas nos dá muita alegria e um quentinho no coração saber que o gordura esteve ali no meio.

Foto por: Natália Mansur

Acredito que esse quentinho no coração esteja em muita gente que foi contemplada por essas relações e pela banda em si.

Felipe e Luiz, nesses desses dois anos, não só conquistaram pessoas, como encheram algumas de orgulho e as marcaram de um jeito ou de outro. Eu, sozinha, não consigo expressar o impacto da banda na vida delas e até mesmo na minha, então pedi ajuda para isso.


Natália Mansur – Amiga dos meninos e capa do “repertório”

“O ‘gordura’ surgiu em um contexto muito específico e definitivo. Eu conheci o Luiz na faculdade, junto do Sartori e da Branca. A gente construiu junto os primeiros esboços de vida adulta que foram definindo caminhos e questões muito diversas. Ao lado disso, cresceu uma amizade que é uma das coisas mais bonitas que eu tenho o prazer de contar. Pra falar do repertório, eu preciso lembrar de três momentos que eu guardo.

O primeiro é mais emocionalzinho, a capa do disco: eu e Luiz matando aula – pra variar -, ele contando com um carinho absurdo sobre produzir algo que dizia muito pra ele, sobre as letras do Felipe e como aquilo fluía bem (e rápido). Mostrei pra ele uns autorretratos que eu andava fazendo e que, pra mim, dialogavam muito com esse desabafo que ele e Lipe tavam soltando. Ninguém tinha visto essa foto antes e ela caiu ali no encarte do disco junto de uma galáxia inteira. Foi muito importante pra mim porque eu não precisei nem ter o impulso de coragem que a gente às vezes precisa pra mostrar um trabalho.

O segundo foi o primeiro show dos meninos na Audio Rebel. Ainda não tinha saído o disco e eu lembro graficamente do alívio que eu e Branca tivemos quando a gente viu que a banda era boa e não ia precisar dar aquela disfarçada de amigo.

O terceiro foi o dia que saiu “vcnvqnd” como single e o Felipe (coitado) ficou esperando o Luiz por algumas boas horas enquanto eu, ele e Sarta bebíamos cerveja na padoca (kkkkkkk).

Eu acredito que momentos e lembranças gostosas dão o tom de qualquer história. Desde que a banda começou, eu coleciono um monte delas. O Felipe e o Luiz são caras incríveis e com muito talento. Pra além de som bom ou ruim, eles produzem coisas sinceras. Coisas sinceras são bonitas. Tudo que se deu a partir dessas três histórias é lindo, tanto pra mim, quanto pra eles (eu imagino). Hoje eu tenho amigos em cantos do Brasil e do Rio que eu nem conseguia imaginar ontem. Isso é grande demais e não cabe na prosa. O repertório me deu de presente muito mais que o prazer que é participar do início de um projeto que eu acredito. Ver esses meninos dominarem o mundo é bom demais e eu espero continuar acompanhando isso de qualquer lugar.”

Foto por: Krishna Montezuma

Diego Soares – El Toro Fuerte

“A história desse disco e da nossa amizade com os meninos tá intrinsecamente ligada a praticamente tudo o que eu, pelo menos, alcancei com música até aqui. Pra uns pode não ser muito, mas eu tenho muito orgulho de tudo. Basicamente, quando a Bichano Records conseguiu uma projeção bacana, na época do lançamento e divulgação do disco, ele caiu nas graças de todo mundo muito rápido. Logo depois rolou a tour Nordeste e veio uma coisa atrás da outra. Eu e praticamente todo mundo que nos acompanha, ficamos naquela expectativa de que algo incrível estava acontecendo e que ter amigos ao redor do país era algo muito possível e alcançável. (A Lupe de Lupe já tinha feito a “Sem sair na Rolling Stone”, e outra galera inspirada por isso estava fazendo acontecer no seu próprio mundo, o que acabou servindo de estalo que faltava para acender a mesma inspiração em todos).

Daí que quando eu falo esses todos, era todo mundo (provavelmente vocês do Autonomia também hahahaha) que circulava esse macro nicho com intenção de fazer, promover e viver arte. Considero que essa galera se conectando e mobilizando pra trazer e levar shows, criar seus próprios selos e bandas se deva ao que o gorduratrans e o repertório alcançaram poucos meses antes. No primeiro evento que organizei com o Fábio, o Felipe tava aqui em BH, dormiu na casa do meu melhor amigo (a minha tava com os meninos da Raça e da Ombu hahaha) e comeu a comida da minha mãe!

E afirmo que perceber essa mobilização, aprender como fazer e nos conectar da forma mais real e próxima possível, sem pedestais e nem divisão, é o que mantém a El Toro Fuerte andando e querida. Sem ‘gordura’, repertório e aquele período mágico, eu não teria nada. Dois dos nossos melhores amigos no mundo todo.”

Raquel Domingues – El Toro Fuerte

“Falar de gorduratrans é falar de um feliz encontro de tempo, espaço e pessoas.

Conheci o Felipe meio que sem querer, quando ele resolveu baixar em BH para o 1º Bichano Fest na cidade, evento que a El Toro Fuerte fez em parceria com o selo e com os lindos do Raça e Ombu. Foi um eventaço, muito melhor do que a expectativa e conhecemos pessoas incríveis nesse dia.

Vivemos todos um fim de semana maravilhoso, que nos ajudou muito a construir boas amizades e a querer de verdade tocar além de Minas Gerais. No domingo pós-show, sentamos todos pra assistir àquele show de horrores do impeachment da Dilma e lá já deu pra perceber que o Felipe tem um jeito muito próprio de ser, de falar. A cada novo voto, ele fazia um comentário hilário. ‘É absuuuuurdo, amigo’! O pessoal voltou pro Rio e por aqui ficou só saudade.

Já o Luiz, conheci um tempo depois, dessa vez no Rio. Ele hospedou a gente (El Toro) quando tocamos em Mesquita e, tirando o calor surreal do RJ, foi tudo lindo e ele é um amor de pessoa.

Ouvir os meninos no palco é muito surreal. O show é pesado, direto, cheio de olhares entre os dois e contagiante. E poder conviver com eles, na música, nos rolês ou quando a gente senta para tomar uma nas (ainda) poucas vezes que conseguimos nos ver, é feliz demais!”

Gabriel Martins e Quel Batista – El Toro Fuerte

“Não tem como falar de gorduratrans e do repertório sem falar do nosso casamento e da nossa amizade com os meninos. Eu lembro quando conhecemos o Felipe, que veio a BH para o Bichano Fest, e o santo bateu logo de cara. E, bom, a gente queria fazer da nossa festa de casamento um grande festival das bandas que a gente gostava com os nossos amigos e, depois de conhecer o Felipe, logo depois o Luiz, eu tinha certeza que queria que eles estivessem presentes no nosso casamento, tocando. No dia em que o gorduratrans veio tocar na Casa do Jornalista, nós fizemos o convite, meio tímidos, meio sem saber se iriam aceitar e a reação dos dois deixou a gente emocionado. Eles não só aceitaram como ficaram emocionadíssimos com o convite. Foi um verdadeiro presente de casamento. Os meninos chegariam na manhã da cerimônia e fizemos todo o corre para que eles pudessem estar lá. E assim foi. Nem precisamos dizer que foi uma festa maravilhosa, o melhor dia das nossas vidas, com os nossos melhores amigos, o nosso momento de ouvir ‘Você Não Sabe Quantas Horas’, como se fosse feita pra gente, rolou até música inédita do paroxismos. Quem tem a sorte de conhecer o ‘gordura’, tem um repertório infindável de boas lembranças. Bom, pelo menos a gente tem.”

Nathalia Rocha – Amiga dos meninos e artista visual do paroxismos

“Eu conheci os meninos no final de 2015. Lembro que vi Ludovic com eles, inclusive, mas não éramos muito próximos na época. Em 2016, começou a Bichano e nisso eu acabei convivendo com eles quase semanalmente e esse afeto mútuo entre nós foi sendo nutrido.

Poderia dizer que Felipe e Luiz são as duas pessoas que eu mais considero no Rio de Janeiro e que tem uma importância muito grande pra mim. Eu realmente não veria razão de continuar no Rio se eles não estivessem por perto, porque é muito mais confortável residir aqui sabendo que eles estão presentes.

Os dois acompanharam muita coisa que aconteceu comigo ano passado, que foi muito pesado, e isso fortaleceu muito o vínculo que já havia sido estabelecido. Eles também são duas pessoas que sempre acreditaram e apoiaram tudo o que eu faço, assim como eu acredito no que eles fazem. Eles me inspiram, me dão muito orgulho.

Às vezes me dá até vontade de chorar vendo eles tocarem, porque eu acompanhei todo esse processo; eles saíram da baixada sem nada e agora fazem shows direto fora do estado de origem. É Rio, é São Paulo, é Nordeste…sabe, quem alcança o Nordeste? É tão difícil sair desse eixo Sudeste e meu coração infla muito e dá um aperto no peito, porque meus meninos vão dominar o mundo.

Quanto a construção do paroxismos, eu ouvi ele uma vez e fui traçando o que seria o arquétipo do álbum.

Tinha vários desenhos de 2016, do meio pro final do ano, que foi uma época muito ruim e eu tirei basicamente o álbum inteiro desses desenhos porque existia uma sinestesia entre o que o Felipe me propôs e o que eu havia posto nos desenhos que eu já tinha.”

Caio Sartori – Amigo dos meninos, ex Bichano Records e “3° membro do gorduratrans”

“Minha relação com a banda começou muito por amizade. Eu estudava com o Luiz e a gente já era melhor amigo e, dessa forma, fiquei amigo do Felipe. Antes de começar o ‘gordura’, eu sempre fui acompanhando o processo deles como banda e como dupla. Os dois sempre foram muito mais próximos um do outro, mesmo tendo banda antes com mais gente, sempre foram uma dupla com essa ideia de projeto solo e que acabou, depois, virando o gorduratrans.

Quando eles começaram o ‘gordura’ em 2015, foi tudo muito rápido, em um mês eles já estavam fazendo o primeiro show com umas quatro músicas prontas e eu sempre tentei desempenhar um papel de amigo que dá as dicas tanto de sonoridade, quanto de divulgação. E aí quando veio o disco que ia ser lançado pela Bichano, com a qual eu ainda não tinha uma relação, fiz de modo independente pra eles uma certa divulgação, dei umas dicas de site, de e-mails, identidade digital e foi dando certo. A gente meio que brincava que eu era o terceiro ‘gordura’, porque fazia esse papel, além de ajudar com a banquinha de merch, viajar com eles pra outros lugares, como São Paulo e Nordeste.

Meu papel no começo do lançamento do disco, de Setembro de 2015 até o começo de 2016, foi bem esse: eu e o ‘gordura’ fazendo as paradas juntos e, com isso, comecei a participar diretamente da Bichano; acabei entrando no processo de divulgação, release, a parte digital com todas as bandas do selo.

Muita gente que eu conheci nessa época me associa a Bichano, mas o Felipe e Luiz foram as pessoas que me fizeram participar diretamente disso.

E, agora, quando veio o paroxismos, eu acho que eles se estabeleceram de uma forma, com uma estrutura tão boa que acabou que eu nem ajudei tão diretamente com a divulgação, só dei dica de sonoridade, opinei nas músicas e fico muito feliz de ver como eles conseguiram se estabelecer no meio independente, tendo uma estrutura boa, fazendo turnê sem passar perrengue (que a gente passou muito por aí Brasil a fora), mas eu sempre tô com eles, são meus melhores amigos. O paroxismos, por exemplo, ia ter 11 músicas e eu pilhei muito pra eles tirarem duas que não estavam soando bem dentro do disco. E o que me deixa mais feliz é o fato de eles estarem conseguindo se estabelecer de verdade, sem tomar prejuízo, conseguindo tocar e obtendo o devido reconhecimento.

O que eu acho muito interessante da banda é que são duas pessoas que passam muitas dificuldades no dia a dia, moram muito longe do centro do Rio e de seus respectivos trabalhos e estudos. E eu acho muito bom que, mesmo com essas situações diárias, eles não necessariamente cantam sobre isso. Esse dia a dia pesado tá muito mais entrelinhas, no sub texto das músicas do que devidamente nas letras. Não é tipo “pego transporte todo dia, tô passando perrengue”, eles falam sobre dores pessoais mesmo, que todo mundo tem e, ao mesmo tempo, conseguem transmitir a realidade social deles.”

Foto por: Hannah Carvalho

Tatyane Oliveira – Fã número 1

“Gorduratrans é a minha banda preferida, a banda que de longe garante seu primeiro lugar no meu lastfm e a banda que eu mais admiro. Luiz e Felipe são dois anjos por me aguentarem toda semana falando deles em todas as redes sociais possíveis. Mas provavelmente eles aguentam porque sabem o tamanho da importância que tem pra mim. A banda foi a trilha sonora dos meus piores e melhores momentos nos últimos anos. Incontáveis lágrimas eu derramei ouvindo “Você Não Sabe Quantas Horas Eu Passei Olhando Pra Você”, tanto que é a minha música preferida da vida, mesmo tendo ouvido dezenas de vezes ela continua sendo muito especial pra mim. ‘Gordura’ não só foi a porta de entrada pra eu querer conhecer outras bandas do gênero, mas também foi quem fez eu me achar musicalmente. Tem muita gente na internet que me conhece como fã de ‘gordura’ e eu me sinto muito orgulhosa disso. Acho incrível também o apoio que eles dão pro meu próprio som, e se algum dia eu tiver metade do talento, carisma e se conseguir fazer tanta música boa como a desses dois, eu vou ficar extremamente feliz. Daqui a 50 anos, quando a banda estiver no bilionésimo show, estarei na frente do palco cantando e aplaudindo com orgulho.”

 

Jair Naves – Uma das influências principais da banda e ídolo dos meninos

“Conheci o gorduratrans quando um deles, não lembro exatamente quem, me escreveu perguntando se eu autorizava que eles usassem um dos meus versos para batizar o disco de estreia deles. Nunca tinha ouvido falar da banda, mas algo nesse contato me deixou com uma boa impressão e nem pensei duas vezes antes de dizer que claro, podia usar sim, era um motivo de orgulho imenso para mim e etc. Sei o quão importante o primeiro disco é na vida de qualquer músico, então foi algo que me deixou muito lisonjeado. Só fui ouvir o álbum alguns meses depois e gostei ainda mais do que eu poderia imaginar. Os dois possuem uma química enorme tocando juntos, dá para perceber que eles desenvolveram uma linguagem muito particular ali. E o Felipe é um dos maiores talentos que apareceram recentemente nesse cenário, tanto como compositor, quanto como guitarrista e cantor. Espero que eles continuem fazendo música por muito tempo.”

Foto por: Lucas Santos


Quanto a mim, conheci os meninos no início do ano passado, em um dos shows em São Paulo. Eu, eles e algumas amigas fomos na casa de uma delas e assistimos SBT comendo batata com maionese de alho da Gabriela Ferreira (precisava mencionar, porque é espetacular). Rolou um tipo de vínculo imediato. Todas minhas viagens ao Rio eles estão comigo, contando algum tipo de piada ruim. Eles já me viram e estiveram comigo em bons e maus momentos, além de terem sido uma ponte pra pessoas que hoje são essenciais na minha vida, tanto quanto eles. Essa soma de fatores não acontece em qualquer tipo de relação, sabe? Essa soma de fatores, inclusive, me fez construir essa matéria.

Foto por: Natália Mansur

Esses dois caras ligaram uma rede extensa de amigos no Brasil todo, como falado pela Natália Mansur ali em cima. Além do talento puro e absurdo do Felipe e do Luiz, ambos ainda conseguiram ser uns dos caras mais queridos desse meio e todo reconhecimento é pouco.

O que então a gente pode fazer? Agradecer pelo repertório infindável de dolorosas piadas e essa adição do gorduratrans em várias vidas, de diversas maneiras.

Feliz 2 anos de repertório. Pra todo mundo.