Ano: 2017

A Ventilador de Teto é uma barbaridade

A banda Ventilador de Teto é nova no pedaço, literalmente, porque a gurizada é jovem. Composta por quatro meninos da Baixada Fluminense e com um EP tudo de show, o Desejo/Sufoco, eles entraram no cenário independente com críticas positivas sobre seu som e uma parte disso se deve à incrível Bárbara Martins, a mulher por trás de tudo o que eles fazem e a “opinadora” oficial da VDT. E é sobre a banda, influências e Bárbara que eu e Isabelle Vímara conversamos com a ‘Ventilador’ lá em Duque de Caxias. Vamos lá… Pergunta básica: quais as influências da banda? VDT: Inicialmente, a gente fez um top 5 e tinha Velvet Underground, Bob Dylan, The Strokes, The Smiths e The Beatles. O quão importante pra vocês é a questão da autenticidade? Porque dentro da cena existem muitas críticas sobre as bandas serem genéricas, não de uma forma negativa, claro. Mas qual o diferencial de vocês em relação a isso? VDT: A gente copia tudo. Nada é original, é só você saber disfarçar, deixar as coisas entrelinhas. Acho …

‘Letrux Em Noite de Climão’ e as múltiplas faces de Letícia Novaes

Foto por Marina Novelli Letrux Em Noite de Climão é o primeiro disco de Letícia Novaes pós-término do projeto Letuce, que ficou em atividade de 2007 a 2016, reuniu uma legião de fãs e foi marcado por uma despedida calorosa no fim do ano passado em Paquetá, no Rio de Janeiro. O novo trabalho é resultado de uma campanha de financiamento coletivo e mostra outra face da cantora/compositora/atriz/escritora. Um retrato mais noturno, que se entrega pra vida e suas múltiplas possibilidades como numa pista de dança (literalmente). Referências dos anos 80 ao longo das onze faixas, o disco ainda conta com uma participação de Marina Lima em “Puro Disfarce”. O Climão vem sendo muito bem recebido pelo público e contou com casa cheia em todas as apresentações feitas até agora, passando por Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Talvez eu seja suspeita pra falar, porque esse deve ser um dos meus discos favoritos de 2017 – pelo menos até agora. Letícia é uma mulher muito potente e não te deixa nem um pouquinho desconfortável. …

Jundiaí afora, ‘Regina’ mostra que niLL não é outro rapper genérico

Um ano após a atmosfera nostálgica que envolve o Negraxa, niLL, o mestre de cerimônias radicado em Jundiaí lançou seu primeiro álbum solo intitulado Regina via o selo Sound Food Gang. O álbum é uma ode a própria existência: nomeado em homenagem póstuma a sua mãe, a capa desenhada pela sobrinha, as faixas estruturadas em cima de recortes de áudios do whatsapp. Multifuncional, niLL também atuou na produção do álbum e as noites em claro no programa FL Studio sustentam a atmosfera intimista. A sonoridade é plural, flerta com jazz fusion, vaporwave e trap, atraindo ouvintes de nichos além da cena que o apadroa. As letras contemplam com uma riqueza agridoce temas como perda, ambição e desilusão. Muito embora a quantidade de recortes beire a um risco, a execução com brilhantismo inegável costura a gama de influências de um indivíduo com bagagem cultural. Regina possui uma integridade artística que supera os trabalhos anteriores, muito além do diamante bruto do Sem Modos e da veia hedonista que limita os artistas a cor da erva que fumam. …

Como gorduratrans saiu do subúrbio pra conquistar o país

Foto por: Lucas Santos No dia 27/09/2015 era lançado o repertório infindável de dolorosas piadas, debut da banda carioca gorduratrans, formada por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz). A ideia do gorduratrans surgiu no início de 2015, logo após Felipe e Luiz saírem de sua antiga banda. Os dois, que se conheceram no final de 2012 através de um grupo no Facebook, criaram um laço de amizade tão forte que decidiram manter a banda só entre eles. Uma amizade que ultrapassou o limite do duo assim que o repertório começou a tomar forma. E que uniu pessoas de diferentes cantos do país, conquistadas pelas músicas e pelos próprios meninos, que acabaram formando um círculo de amizade. E foi para falar dessas relações formadas, da música na vida dos dois e do repertório infindável de dolorosas piadas que eu conversei com o gorduratrans. Qual sua relação com o Felipe? Luiz: Minha relação com o Felipe é muito tranquila, sempre foi. Temos muitos gostos e opiniões parecidas, nos mais variados contextos, então …

Viagens e experiências sinestésicas no novo clipe da The Shorts

Misturando o onírico e o psicodélico que dão a essência da letra, a banda curitibana The Shorts lança o clipe de “Vivid Vision”, com exclusividade pelo Autonomia. A direção do vídeo é assinada pela vocalista Natasha Durski e apresenta imagens que são fruto de muitas das suas pirações, resultado de sonhos recorrentes no imaginário da banda. Esse é o primeiro trabalho visual do disco de estreia, Dawn, lançado no fim de 2016, e marca o início da parceria entre a banda e o selo musical PWR Records. Assista:

As influências das autonominas

Há quase dois meses, o Autonomia estreou com a proposta de falar sobre o cenário independente num todo. O site é conduzido por mulheres completamente apaixonadas por música, e é por isso que todas nós decidimos falar sobre ela em nossas vidas, além de preparar uma playlist com canções marcantes e que nos influenciaram desde sempre.   Mariana Ribeiro “Eu tenho a sorte de ter crescido em uma família extremamente musical. Cresci ouvindo de tudo, de tudo mesmo – de Beatles a Cássia Eller – e isso me formou um gosto musical um tanto abrangente. Música representa boa parte de mim e já ajudou a me salvar uma vez em um período muito difícil. Não sei como teria passado por isso sem grande parte das coisas que eu ouvi (inclusive You Can’t Always Get What You Want, dos Rolling Stones que está na playlist). Tudo o que eu ouço é significativo pra mim, me marca, às vezes me transforma, principalmente Jeff Buckley, ele tem um peso muito importante pra mim. E essa playlist é tudo …

A gente acha que todo mundo deveria ver um show da Mahmed na vida

Foto por Yasmin Kalaf Lopes. A Mahmed, desde o seu EP de estreia “Domínio das Águas e dos Céus“, em 2013, vem chamando a atenção não apenas dentro do cenário independente, mas no cenário musical como um todo. Composta por Walter Nazário (guitarra), Dimetrius Ferreira (guitarra), Leandro Menezes (baixo) e Ian Medeiros (bateria), a banda instrumental, sempre muito bem elogiada por suas apresentações ao vivo (acredite quando eu digo isso, porque basicamente todo mundo ao meu redor é apaixonado pelos shows deles), já tocou em festivais desde Coquetel Molotov em Recife, até o aclamado Primavera Sound na Espanha. Atualmente, a banda encontra-se gravando seu segundo álbum, com previsão para o início de 2018 pela Balaclava Records. É ou não é para começar o ano bem? Pensando nisso, o Autonomia conversou com Walter e Leandro sobre shows, música e o futuro da banda. Como a Mahmed começou? Leandro: Começou entre 2012 e 2013. Sou amigo de Dimetrius há muitos anos e sempre tivemos o interesse de fazer algum projeto, mas nada saía do papel, a não ser …

Só lembrando que a El Toro Fuerte não nasceu pra te agradar

Caso você esteja se perguntando, “El Toro Fuerte” vem, de fato, do personagem dos desenhos/filmes do Jackie Chan, lutador profissional de luta livre e dono de uma força descomunal. Essa força, não sabia ele, vinha do Talismã do Touro que a sua máscara carregava. Já da banda mineira, nós nunca ficamos sabendo de nenhum Talismã do Touro, mas que há uma força descomunal que paira em cada show feito por eles, disso não temos dúvidas. A El Toro Fuerte lançou seu primeiro disco em maio de 2016, chamado “Um Tempo Lindo para Estar Vivo“, ganhando destaque na cena independente. Depois de seu lançamento, os meninos já passaram por grande parte do país, incluindo festivais como o Bananada, onde artistas como Mano Brown, Luiza Lian e Céu também marcaram presença. A banda é formada por Diego Soares, João Carvalho, Gabriel Martins e Fábio de Carvalho Penido, que fazem muita coisa ao mesmo tempo e fica difícil dar uma função como integrante para cada um. Atualmente a banda se prepara para o lançamento de seu segundo álbum “Nossos …

Vozes femininas brasileiras e seus clássicos obrigatórios

Dentro do cenário musical brasileiro são incontáveis os trabalhos de mulheres, seja compondo ou apenas interpretando canções de terceiros. Essa lista foi feita buscando condensar em poucas palavras álbuns interpretados por vozes femininas que deixaram ou irão deixar seu legado para a música brasileira.  Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo – Cassia Eller (1999) Quinto álbum de estúdio da cantora, é até hoje considerada sua obra-prima, com músicas escritas por Caetano Veloso, Luiz Melodia, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, entre outros vários músicos. Cássia sempre preferiu interpretar músicas de outros artistas ao invés de compor suas próprias canções, por isso nenhuma das músicas do álbum foi escrita por ela. A música que abre o álbum “Segundo Sol” é uma das mais conhecidas da artista, depois apenas de “Malandragem”.  A Voz do Samba – Alcione (1975) Primeiro álbum de estúdio de Alcione, que em sua estreia já tinha entre as faixas as músicas “Não Deixa o Samba Morrer”, até hoje sua canção mais popular, regravada também por Marisa Monte e outros artistas, e “O Surdo”, outra música presente em coletâneas que revisitam diversas obras da cantora e também seu repertório de shows.   Falso Brilhante – Elis Regina (1976) Álbum em estúdio do espetáculo teatral “Falso Brilhante”, que ficou em cartaz por um período de dois anos. As canções ao mesmo tempo que contam a história de vida e carreira de Elis, ainda que nenhuma das canções tenha …

EP3: Metá Metá

Os integrantes do Metá Metá estão de volta com um trabalho novinho em folha: o EP3. O EP conta com duas canções compostas pela banda que ficaram de fora da trilha do espetáculo de dança do Grupo Corpo, Gira: “Odara Elegbara” e “Ajalaiye”, ambas em homenagem ao orixá Exu, segundo a própria banda. São duas canções intensas e com diferentes elementos musicais. Vale a pena a ouvida. Você pode baixar o EP3 clicando aqui. O Metá Metá já tem três shows de lançamento do EP marcados; dia 12/08 no Festival Criolina, em Brasília; 13/08 no SESC Pinheiros, em São Paulo; e dia 18/08, junto com a banda Rakta, no Circo Voador, no Rio de Janeiro.